quinta-feira, 8 de julho de 2010

De equilíbrio, harmonia, pratos e panelas

Acho que a harmonia na convivência entre pessoas que não querem / podem pagar uma faxineira é uma questão de equilíbrio. O problema é que se você acha que a situação está equilibrada, provavelmente você está de pernas pro ar fazendo nada enquanto seu amiguinho que tem nojinho do banheiro porco e da pia “pirâmide” está deixando tudo com ambiente de lar, em vez de chiqueiro. Ou seja, a harmonia na convivência entre pessoas que não querem / podem pagar uma faxineira passa a ser uma questão de resignação do colega de apartamento que tem nojinho. Ou, mais comumente no caso de homens, uma questão de porcaria.

Vejamos eu e Carol. Eu fingia que achava que a situação estava equilibrada (fingia mesmo, Carol. Sorry) porque eu passava roupas uma vez por semana e ela limpava a casa uma vez por semana. A minha desculpa é que imagino que gastássemos o mesmo tempo para cada uma fazer a sua tarefa. Duas horinhas para passar roupa, duas horinhas para limpar a casa. Ademais de limpar a casa, Carol cozinha melhor. Eu fazia questão de lavar os pratos, mas ela, agoniadinha, às vezes corria para a pia. Eu cozinhava também, mas ela é mais criativa e etc e tal. Enfim, o negócio é que lavar banheiro é uma merda, né? E eu nem acho de todo mau passar roupa. Cozinhar e passar roupa são, definitivamente, as minhas tarefas de casa preferidas. Muitas vezes pensei em perguntar a Carol se ela queria trocar a atividade que cada uma fazia por semana, mas muitas vezes, também, ela ia lá e limpava a casa justamente quando eu não estava. Aí eu fazia, na minha cabecinha, a conta de quanto tempo cada uma levava graxeirando, chegava à conclusão de que, em termos de duração, as tarefas eram compatíveis, e deixava para lá. Tudo porque eu não queria lavar o banheiro.

* Mentira. Não era só isso, não. Eu nem sou gente ruim assim. É que eu acho que limpar a casa tem um método próprio, um jeito. Cada um tem suas manias. Inserir-se na rotina de uma pessoa que há tempos limpa a sua própria casa é meio desconfortável. Vai que a pessoa acha que eu não limpei a maçaneta? Vai que acha que eu não limpei o canto do primeiro quadrante do teto da sala? Vai que acha completamente desnecessário eu desplugar todas as tomadas e limpar os fios, um por um, passar aspirador atrás do móvel de três toneladas e etc.? É muito ruim fazer faxina na casa dos outros sendo observado. Por outro lado, eu boto pra lenhar na passação de roupa! *

Pois bem. Aqui na casa de Juan e cia ltda o negócio estava equilibradíssimo aos olhos de Juan. Imaginem. Juan, o amiguinho das cucarachas, achando o negócio equilibradíssimo e a vida um mar de rosas, harmonia e paz. Outros dois roomies de Juan, suponho eu, também achavam que a vida era equilibradíssima. Até que o quarto elemento resolveu se revoltar. Mas vejam bem, o que são sete sacos de lixo sem botar para fora (botar para fora = tranferir do lado de dentro da porta para o lado de fora da mesmíssima porta), não é?

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Eu tenho um método todo especial para lavar pratos. Coisas que herdei de meu pai-pai. Sobre a sanidade mental das minhas heranças genéticas, tirem suas próprias conclusões.

Antes eu odiava lavar pratos. Odiava. Achava um nojo. Panelas, então, affff!! Mas, gente, com organização e um pouquinho de boa vontade, a sua vida com certeza vai ficar mais bela. Vejam bem, a idéia central remete aos ensinamentos de Taylor, Fayol e, principalmente, à produção em série de Ford. De antemão, há que se considerar alguns aspectos: o tamanho da pia, o tamanho do balcão da pia e o tamanho do escorredor, basicamente. É bom observar se tem alguma coisa muito frágil, também. Essa você lava logo, seca e guarda. Se for taça de cristal, coloca para secar longe do meu cotovelo, por favor.

Bem, aí o primeiro que se deve fazer é separar os utensílios sujos por classes. Para falar do dia-a-dia, vamos começar com o básico: panelas – organizadas por tamanho, uma dentro da outra –, pratos – também separados por diferentes tamanhos –, copos e talheres. Deve-se começar lavando os copos, que podem, nessa divisão, ficar dentro da pia mesmo – o resto, melhor deixar do lado de fora, cada um no seu quadrado. E por que os copos? Ora, se você tem um escorredor onde ficam misturados copos e pratos e panelas e etc (porque os talheres sempre têm um lugarzinho todo especial), é muito mais fácil colocar, embaixo de tudo, os copos. As panelas e os pratos de sopa, tupperwares e afins, todos podem ficar emborcados em cima dos copos. Captaram? Pois, sigamos.

Copos lavados, passemos aos pratos. Quer dizer, lavem logo os talheres – que podem já estar dentro da pia, junto com os copos. Às vezes deixo os talheres justo dentro do maior copo cheio de água, para já ir soltando a nhaca. Então, perceba que você já se livrou de copos e talheres, que são pequenos e chatos na arrumação do ambiente pré-lavagem. Agora, sim, passemos aos pratos. Primeiro os grandes, que ficarão dispostos no fundão do escorredor, em seguida os de sobremesa e pires. Organizados assim, por tamanho, do menor para o maior, fica uma coisa linda de se ver...

* lágrimas me vêm aos olhos... *

Ai ai...

Bom, em seguida os pratos fundos, se houver. Por quê? Ora, meu Deus! Tudo eu tenho que explicar! Veja bem, se não houver mais muito espaço, o provável é que os pratos fundos sejam os mais quebráveis do que ainda resta (panelas, tupperwares e etc.), além de que é facinho facinho emborcar panela sobre pratos fundos. Olha, vá por mim, que no final, além de mais seguro, o escorredor fica uma arvorezinha de natal. Lave os pratos fundos e ajuste eles no escorredor. Se de frente pros outros pratos, de costas ou emborcado em cima dos copos, vai depender do seu escorredor e do seu prato fundo. Essa é uma daquelas regras tipo “sal a gosto”.

Por fim, lave panelas e tupperwares, do menor para o maior (me recuso a explicar por que, hein). O legal é que, quando você coloca uma dentro da outra elas já ficam na ordem certinha de lavar! Não é uma emoção? Ai ai...

Pronto. Emborque as panelas em cima dos copos, dos pratos, em cima de tudo e voilà! Cozinha limpa, escorredor lindo!

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O método é super eficiente para passar roupas também. Calça com calça, blusa com blusa, tecido com tecido... Experimentem!

Mas se quiserem, oportunamente eu faço um tutorial.

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Essa inspiração tem o oferecimento da pequena montanha de pratos que havia dentro da pia quando eu cheguei do curso hoje. Tudo graças ao já citado mar de rosas, harmonia, paz e amor.

Ser homem é tão legal...